A viagem continua – Veneza (parte 3)

Algumas pessoas podem discordar do que falei sobre o outro lado de Veneza no post anterior, mas como sempre digo, cada um vê aquilo que quer, então não se preocupe muito com as opiniões que virão, viaje e tenha a sua própria.

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Cada canto em que olhávamos era algo curioso, desde as mulheres venezianas varrendo as ruas com vassouras de palha até a quantidade de turistas em plena manhã (8:00hs) de sábado.

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Apesar de Veneza ser pequena para tanta história, o que não falta por lá é variedade. A cada rua e ponte que passa, você se depara com infinitas barraquinhas, lojas, restaurantes e tudo mais que você possa imaginar. As pessoas que trabalham por lá estão muito bem preparadas para atender toda aquela multidão em busca de compras e tudo mais.

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Obras de artes!!!

Obras de artes á venda!

Uma situação interessante foi a de um africano que vendia bolsas na subida da Ponte di Rialto, quando me abordou perguntando qual era a minha língua e assim falando rapidamente, italiano, espanhol, português e inglês…e eu passando trabalho em aprender alemão! 😦

O Beno em uma ponte e eu ao fundo(pequenininha) em outra ponte com os bracos abertos...rs

O Beno em uma ponte e eu ao fundo(pequenininha) em outra ponte com os bracos abertos...rs

Andávamos olhando tudo e registrando o que nos cabia, valia até correr para uma outra ponte e bater uma foto com um em cada ponte, somente por puro divertimento…rs

Acredito hoje que Veneza pode ser vista de infinitas formas. Para aqueles que gostam de requinte e aconchego o que não falta por lá é isso, em restaurantes, cafés, hotéis, etc. Ou então para quem quer vivenciar dias de luxúria, também é possível, com os passeios de gôndolas, lojas de jóias, artes, marcas famosas, grandes apresentações teatrais… Agora para quem, como nós, gosta de se aventurar por aí somente em busca de aventura, conhecimentos, descobertas, a cidade se torna muito curiosa, pois você começa a entrar nas ruelas e cabada em outras muito mais complexas, sem ao menos saber aonde irá sair.

A noite passear nestes labirintos escuros requer realmente audácia e valentia, pois conta a história que esta forma de “labirinto” foi construída propositalmente para confundir a ameaça de invasores em séculos passados, portanto indicaria passear a noite, a pé em Veneza (pelos seus labirintos), somente quem gosta de fortes emoções e possíveis imprevistos…rs.

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perdida no labirinto!!!

Depois que conseguimos sair do labirinto com a ajuda de algumas plaquinhas gastas e antigas (tipo cartaz) penduradas em alguns cantos, encontramos a praça de São Marcos.

O que é aquele espaço enorme no meio de tantos labirintos aos redores???

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Realmente quando se entra na praça de São Marcos parece que tudo fica mais claro, amplo e livre. Uma praça grandiosa com muitas riquezas reunidas no mesmo lugar, e quantos turistas!!!

Fiquei olhando aquilo tudo como em câmera lenta, admirando cada detalhe da Basílica e todas as outras construções históricas (Palácio Ducal, Campanário da Basílica…) e não poderia deixar de observar os ricos detalhes da arquitetura.
os detalhes de mármore e outro na Basílica de Sao Marcos

os detalhes de mármore e ouro na Basílica de Sao Marcos

Só de pensar que aquele lugar já resistiu desde grandes eventos revolucionários, festividades, batalhas e mais todos os grandes nomes que por lá estiveram, me enchiam de entusiasmo e emoção.

Basílica de Sao Marcos

Basílica de Sao Marcos

outra vista da praca

outra vista da praca

Mas o relato sobre nossa primeira viagem a Veneza não acaba por aqui. Ainda tínhamos um desafio curioso em encontrar a “Ponte del Suspiro”(Ponte do Suspiro) para o desejo apaixonante de minha mãe. Com essa missão nas costas, fomos atrás da “bendita ponte”…rs

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Veneza – parte 2

Inverno sem flores com árvores e folhas secas pelas ruelas, mas mesmo assim os turistas já fazem renascer a vida por lá. Por todos os lugares em que andamos vimos muitos grupos de turistas de todas as partes do mundo.

“Veneza é mundialmente famosa pelos seus canais. A cidade foi construída sobre um arquipélago de 118 ilhas formadas por cerca de 150 canais numa lagoa rasa. As ilhas em que a cidade é construída são ligadas por cerca de 400 pontes. No velho centro, os canais servem a função de estradas, e de qualquer forma de transporte sobre a água ou a pé. No século XX, um aterro permitiu uma ligação ao continente, a construção da estação ferroviária de Venezia Santa Lucia em Veneza, uma estrada para automóveis e um estacionamento. Para além destas ligações para o continente no extremo norte da cidade, o transporte dentro da cidade continua a ser, como foi em séculos passados, inteiramente na água ou em pé. Veneza é a maior urbe da Europa com áreas livres para carros, única na Europa, permanecendo um considerável funcionamento da cidade no século XXI totalmente sem carros ou caminhões.”

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Veneza#Pontes

“A Ponte de Rialto é ponte mais antiga e mais famosa sobre o Grande Canal, na cidade italiana de Veneza. Ela foi formalmente a única ligação permanente entre os dois lados do Grande Canal, até abrirem as restantes travessias.

A ponte de pedra que hoje existe é formada por um único arco, desenhado por Antonio da Ponte, e construída entre 1588 e 1591, baseado no desenho da anterior ponte de madeira: duas rampas inclinadas cruzam-se num pórtico central.”

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_de_Rialto

Tenho que confessar que não é nada confortável conhecer uma cidade com uma mochila pesada nas costas, mas com isso conseguimos economizar bastante dinheiro, pois levamos lanches prontos e bebidas. Tudo que se compra em Veneza (desde alimentos até lembranças) é realmente caro!

com muito sono e com o corpo dolorido(assim que chegamos)

com muito sono e com o corpo dolorido(assim que chegamos)

O sono atrapalhava um pouco, mas não queríamos perder nenhum encanto que lá existe. No horário em que começamos a caminhar pelo centro de Veneza, vimos muitas pessoas tendo vida normal, crianças indo para as escolas (cursos) e adultos aos seus trabalhos. O que chama bastante atenção é que a Veneza que nós costumamos ver em filmes, é diferente da Veneza que se vê assim que se começa a caminhar pelas bifurcações e ruelas. Prédios antigos que hoje servem de moradia, pinturas surradas nas paredes das construções e muitas outras curiosidades.

o lado diferente de Veneza

o lado diferente de Veneza

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Muitas vezes não acreditávamos que aquela Veneza que ali estávamos era realmente a Veneza fabulosa e charmosa que tanto se ouve falar. Mas sabemos que todas as cidades tem seus dois lados e que quando famosa, nunca é realmente retratada de fato. Há quem diga também que ir no inverno não é uma boa opção, por ter pouco sol e por a cidade (assim como todas na europa) ter seu espírito morto, apagado (quando não coberta pela neve) no inverno, sem flores, com poucos pássaros e um frio que chega a congelar.

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No sábado quando chegamos, o sol estava tímido e aparecia em curtos intervalos, até que o frio inverno europeu nos presenteou com finos floquinhos de neve para juntamente conosco comemorarmos tanta felicidade de termos um ao outro.

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Com esta viagem maravilhosa comemoramos nosso 1° ano de casados e o aniversário de 25 anos do Beno.

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Nossa primeira viagem pela europa: Veneza – parte 1

Parecia mesmo que o desânimo não tomaria conta, e nós agíamos para que tudo mudasse. Uma boa injeção de entusiasmo e alegria seriam importantes para que as coisas tomassem outro rumo.

Dia 20 de janeiro de 2008 completamos 1 ano de casados e dia 20 de fevereiro o Beno estaria completando 25 anos de vida. Como nós não poderíamos deixar essas datas importantes passarem em branco, planejamos nossa primeira viagem pela europa.

Começamos com a escolha do destino e com isso o planejamento da viagem. Escolhemos primeiramente Veneza, pela fama romântica que tem e também por sermos loucos para conhecê-la.

prontos para viajar

prontos para viajar

Todas as dicas de viagens conseguimos pela internet, como opções de hospedagem, aonde ir, como chegar, lugares para visitar e também muito de sua história.

Pesquisamos preços de passagens aéreas e de trem, decidimos apesar de mais longa, pela viagem de trem, por ser mais econômica e também diferente. 😀

Colocamos as mochilas nas costas recheadas de alimentos e bebidas, e com roupas e calçados confortáveis estávamos preparados para percorrer os 544 km de trem até Veneza.

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Saindo de Rankweil(Áustria),às 19:00hs sexta-feira

Saímos com o trem de Rankweil (nossa cidade na Áustria) às 19:00hs em uma sexta-feira do dia 15 de fevereiro de 2008. Fizemos uma troca de trem em Innsbruck (no Tirol-um estado vizinho ao nosso) e fomos viajando de trem ao nosso destino.

Com a passagem em maos

Com a passagem em maos

E ali estávamos nós sentados nas poltronas de uma cabine de trem e pensando como seria a viagem de 8 horas de duração e tudo oque viríamos por lá. Viajávamos com um modelo de trem velho e estranho, muito diferente dos trens que estávamos acostumados na Áustria, que nos lembravam daqueles trens antigos dos filmes “James Bond- agente 007” com decorações em madeira, janelas pequenas (se comparada com janelas de trens modernos) e pouco espaço para guardar bagagens (somente para pequenas malas) e o banheiro minúsculo mas que continha um charme da época. Porém apesar de sinistro a viagem estava sendo normal e nós mesmo depois de tantas pesquisas e planejamento ainda não acreditávamos que estávamos fazendo aquilo… a sensação era sem dúvida muito boa e naquele momento avaliamos essa maravilhosa oportunidade que tínhamos em mãos, conhecer lugares, viajar facilmente e aprender com tudo isso.

Quando nos demos conta já não entendíamos ao certo oque ouvíamos, pois já se misturavam as línguas alemã e italiana na divisa entre os países. O cansaço estava ocupando espaço e a fome também já parecia, então fizemos um lanche, com nossos próprios alimentos e bebidas, e resolvemos relaxar e tentar descansar um pouco.

matando a fome

Por mais que tentássemos dormir, as paradas nas estações italianas nos despertavam e olhar no relógio era algo inevitável. Depois de algumas longas horas o nosso trem parou, e ficamos nos questionando oque teria acontecido. Estava frio e o vagão tinha poucos passageiros em suas cabines, sendo com isso um silêncio ainda maior. A tentativa em descobrir em que região estávamos nos deixam mais curiosos ainda e muito apreensivos. Começamos a questionar coisas sem respostas:

Será que já estamos chegando? Oque será que aconteceu que o trem parou aqui? Que lugar é esse?…

Como não tínhamos oque fazer, ficamos nos questionando por vários minutos até que as perguntas se esgotaram e resolvemos esperar. Lembro que esperamos mais de 2 horas e nada do trem sair do lugar, estávamos mesmo parados ali em alguma estação italiana escura e silenciosa, e a única coisa que podíamos fazer era tentar dormir. Depois de ter passado umas 4 horas de espera com um pouco de cochilo e muitas dúvidas, notamos que nosso trem estava novamente viajando, e com o cansaço tomando conta do corpo fomos até Veneza dormindo sentados nas poltronas não muito confortáveis.

chegando em Veneza

chegando em Veneza

Despertamos juntamente com o sol que nasceu de forma harmoniosa e logo já avistamos Veneza, com isso aproveitamos para comer algo e nos preparar para oque estava por vir. Depois de 12 horas e 40 minutos de viagem e espera, chegamos na estação central de Veneza – Santa Lucia. Apesar de cansados e com o corpo muito dolorido por termos passado muitas horas sentados no trem a nossa empolgação estava ali marcando presença. 🙂

na estacao central de trem(Santa Lucia)

Chegamos às 7:40 hs de sábado na estacao central de trem(Santa Lucia)

Saímos da estação de trem de Santa Lucia (centro histórico) e já vimos aquela linda imagem do grande canal (o principal canal veneziano), com muitos barcos e gôndolas. Sentimos vontade de tomar um café e assim o fizemos. Como já tinha lido sobre ” tomar café em Veneza” (rs), sabíamos que deveríamos pedir o café e tomá-lo em algum lugar que não fosse nos bancos da cafeteria, pois eles costumam cobrar por esse “serviço a mais”, mas com muito cansaço e teimosia resolvemos arriscar e ver quanto seria a “facada” logo pela manhã. Pedimos dois cafés médios com leite, que recebemos em “copos de vidro” (como se fosse em botequim), bebemos, conversamos prazeirosamente ali naquele ambiente e logo decidimos pagar a conta para começar as nossas buscas e descobertas por esta cidade encantadora. Acreditem, os dois cafés custaram € 10,00 (dez euros) e com isso aprendemos de fato que é melhor comprar mesmo um café e tomá-lo na rua…heheh 😛

Beno sobre a ponte do Rialto

Beno sobre a primeira ponte que avistamos


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Por que mudamos para a Áustria?

Sei que o tempo que moro fora do Brasil ainda é pouco para falar em adaptação, mas posso afirmar que amadureci muito nestes meses que aqui estou.

Um tempo depois que estava namorando o Beno(hoje meu marido), ele já falava em mudar de país, pois já tinha terminando seus estudos no Brasil e pela facilidade de ter seus pais morando na Áustria. Na época eu estudava para entrar na Universidade de Santa Catarina e morávamos em Florianópolis. A atração do Beno pelo desconhecido e pela aventura da vida em outro país, me passavam muita confiança e auto-estima. Até então, não pensava em ir junto com ele, pois por mais difícil que fosse minha vida no Brasil, estava sempre com aquele sorriso no rosto e com muita energia, não acredita que um outro país pudesse melhorar muito mais minha vida e me trazer tanta felicidade. Ouvindo também isso o Beno dizia que não iria sozinho e que gostaria de ficar ao meu lado sempre, independente de qualquer decisão. Depois disso, o tempo foi passando e muitas coisas aconteceram…

Não consegui entrar na UDESC e nos casamos em janeiro de 2007. Tínhamos tudo o que um casal novo deveria ter para começar uma nova vida juntos(apt, móveis, empregos…), mas sempre entrávamos nesta conversa de morar em outro país. A questão não era somente financeira como acontece com muitos casais que decidem migrar, mas sim de aumento de conhecimento e novas experiências. O medo era sem dúvida grande, mas também tínhamos tanta motivação juntos e energia, que nao parávamos de pensar em outra coisa. Sabíamos que nossa vida era estável e muito boa por sinal, mas queríamos mais…achávamos que aquele era o momento certo…sem filhos, sem estudos e outros contratempos que pudessem nos balançar.

Muitas das pessoas que conversávamos não entendiam esse motivo para mudarmos, pois nos conheciam e sabiam que não tínhamos tamanha necessidade ou grande decepção com o nosso país para fazer essa “loucura na vida”. Mas nós ali estávamos certos que deveríamos vivenciar cada gosto, cada dificuldade e conquistas que viriam dali pra frente.

A questão maior da mudança era realmente o crescimento de cada um e ter muitas coisas para contar para os netos futuramente.

As dificuldades surgiram muito antes de viajarmos, pois além de termos que rebater os pessimistas, ainda teríamos que nos preparar psicologicamente para tudo oque estava por vir. Eu não conhecia praticamente “nada” sobre a Áustria, apesar de o Beno ter me falado inúmeras coisas sobre a região em que iríamos e por ter ver visto muitas fotos e lido alguns blogs que falavam sobre o assunto, já o Beno conhecia “alguma coisa”, pois passou alguns dias de férias na casa de seus pais que já moravam há 3 anos por lá.

Na verdade sempre fomos autoconfiantes e não acreditávamos que mudando de país teríamos somente que trabalhar com coisas que não gostávamos, como muitas pessoas fazem. Queríamos trabalhar normalmente, cada um em suas áreas e com isso cultivar um ritmo de vida parecido com a que tínhamos no Brasil, mas adquirindo outros hábitos com a cultura local. Também sabíamos da importância e da oportunidade de continuar estudando na europa para buscarmos os nossos ideais.

Mesmo com todo medo guardado a sete chaves(mais meu que do Beno), decidimos embarcar nesta aventura que só estaria começando.

Preciso destacar que sem apoio dos pais do Beno seria muito mais difícil largar tudo e tentar tantas conquistas em outro país, pois através deles tivemos passagens aéreas, moradia por uns 2 meses, alimentação e todo o suporte para obter um razoável início de vida na Áustria, sem contar a ajuda com a língua e toda a documentação para o primeiro momento.

Hoje sei que, se não tivéssemos feito essa “loucura”, como muitos referiam-se, ainda estaríamos pensando nesta possibilidade e talvez com um medo maior a cada ano que passasse e uma sensação enorme de impotência e fracasso por  não ter tentado.

Como vocês que estão acompanhando o meu blog podem ver, o quanto difícil foi nos primeiros meses e tudo que eu ainda não contei, mas fica aqui uma mensagem de otimismo para quem ainda pensa em embarcar nessa “viagem ao desconhecido” :

Não deixe de fazer oque você tem vontade, por mais que muitos tentem te desanimar, a vida passa e muitas coisas se ajeitam, e acredito que a pior decepção é a de não ter pelo menos tentado. A preparação é importantíssima(coisa que nos faltou), mas também a vontade interior de vencer supera muitos obstáculos que surgirão pela frente.

Estou aberta para críticas, elogios, sugestões, dúvidas e perguntas.

Um grande abraço a todos vocês!

eu-arrumando-a-mala para viajar para a Áustria

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A segunda oportunidade de trabalho(Revistaria)

Cheguei meia hora mais cedo(8:00hs) do horário marcado com a dona da revistaria(8:30hs) , queria mesmo mostrar meu interesse e conquistar aquela vaga. Era final de janeiro e o frio estava ainda bem rigoroso. Fiquei ali no lado de fora da loja esperando pacientemente a dona chegar. Via gente entrando em outras lojas para trabalhar que passavam por mim e me cumprimentavam, como se eu já fosse uma nova funcionária. 🙂

O tempo estava passando e a cada 15 minutos olhava no relógio ansiosamente. Depois que passou do horário combinado com ela, comecei a ficar preocupada, pois as pessoas daqui não costumam se atrasar em compromissos.

A loja abriria às 9:00hs e quando faltava 15 minutos para  às 9:00hs, vi ela vindo rapidamente. Abriu a loja e eu entrei junto com ela e vi todas aquelas revistas e jornais  logo ali na entrada para serem separados. Ela pegou uma pilha de jornais e me explicou que teríamos que separá-los por tipos(alemães, turcos, inglês, austríaco…). Eu estava bem atenta, mas claro que meu trabalho ainda era lento e desajeitado. Ela ia me falando e eu fazia conforme entendia, até que ela me pediu para cortar a fita e abrir outra pilha de jornal com a tesoura. Naquele momento não entendi oque ela falou, sabia que estava falando para abrir aquela nova pilha de jornais, mas ela insistia: Nehmen Sie die Schere!

Não fiz oque ela mandou, porque não entendi oque era isso: Nehmen Sie die Schere!  😦  E continuei o meu trabalho normalmente. Às 9:00hs abrimos a loja mesmo com todas as pilhas de jornais ali sobre o balcão. Os clientes já estavam entrando e pedindo por diversos itens e eu ali tentando acertar na separação dos jornais e revistas. Muitas revistas eu não sabia aonde colocar depois de separadas, então sempre perguntava para a mulher tailandesa que era a dona da revistaria. Ela me respondia sem muita tolerância, como se tivesse sendo um tédio para ela ter que me ensinar essas pequenas coisas. Para mim apesar de confuso e agitado, o primeiro dia de trabalho, ou melhor o meu teste, estava sendo legal e diferente, pois nunca trabalhei com isso antes. Alguns clientes entravam na loja e me cumprimentavam, muitas vezes até falando algo que eu só respondia com um sorriso, simplesmente por não entender. 😛

Enquanto arrumava as coisas e conhecia melhor as revistas ela me interrogava sobre minha vida pessoal, fazendo perguntas sobre a profissão do meu marido e aonde ele trabalhava. Muitas coisas que ela perguntava eu não entendia  e com isso não conseguia responder de fato. Foi aí que ela me falou em alemão:

“Esse trabalho é muito difícil para você!”

Eu entendi oque ela me disse, e respondi prontamente: O primeiro dia de trabalho sempre é difícil em qualquer lugar, mas depois se torna fácil.

Ela insistiu em me disser que eu não serviria para trabalhar ali, mas não me explicava qual era o motivo do desagrado. Perguntei com o meu alemão desajeitado se ela não queria mais que eu fosse, mas ela não me entendia e resolveu ligar para o Beno para explicar os seus motivos por não me contratar.

Concordei e fiquei ali ouvindo a conversa dela com o Beno pelo telefone. Eu entendi oque ela falou com ele, quando disse que precisava de uma pessoa que falasse  e entendesse bem o alemão e também alguém que ficasse em período integral que esse não era o meu caso pois eu tinha muita dificuldade com o alemão e não poderia trabalhar o período em que ela estava precisando, por isso ela não me contrataria.

Aquilo ali foi um choque grande, pois estava tao confiante e me esforçando tanto que com certeza acreditava que aquele serviço já era meu.

O meu primeiro trabalho foi aos 11 anos quando comecei a trabalhar de babá escondida de meus pais(pois eles não deixavam), na casa da minha vizinha cabeleireira. Cheguei a entregar panfletos de propaganda no semáforo e depois disso não parei mais, trabalhando no Mc Donald’s por 2 anos(meu primeiro trabalho com registro em carteira) e  como vendedora de loja durante uns 8 anos direto sem ao menos pegar férias, pois sempre vendia as férias para ganhar um dinheiro a mais. Os meus trabalhos, sempre foram difíceis no começo, não sabia como as coisas funcionavam e com isso precisaria de um esforço triplo para conquistar a vaga desejada. O meu desempenho sempre foi grande ao ponto de me destacar em vendas e como funcionária assim sendo promovida para gerente de loja na maioria das empresas. Por tudo isso, não aceitei aquele “NAO” que estava ouvindo daquela mulher. Sabia que apenas precisava de tempo para me adaptar e sim conquistar aquela chefe que também era estrangeira e que deveria ter esquecido-se como é difícil conseguir um trabalho sem falar um bom alemão.

Ela me olhou e disse: Você pode ir pra casa!

Não queria, mas como a decepção revoltante estava aflorada em mim, comecei a chorar ali mesmo, na frente dela e de alguns clientes. Ela me olhava com cara de dó e também talvez estivesse se sentindo mal por ter que me dizer aquilo, com isso me ofereceu um café e eu aceitei. Tomamos café ali e começamos a conversar. Eu disse que vim de um país difícil, sei e estou acostumada a passar por dificuldades mas mesmo assim não imaginava que seria tao difícil conquistar um trabalho sem falar um alemão fluente. Ela me disse que os jovens são assim mesmo, que nunca estão preparados para passar por dificuldades e somente lamentou.

Depois de ter liberado toda aquela revolta em forma de choro e ter deixado aquilo tudo de ruim ali com ela, fui pra casa, triste mas convencida que teria mesmo que estudar cada vez mais alemão para não passar mais por isso, porque eu sou esforçada e tenho muita capacidade de conseguir algo melhor que trabalhar em uma revistaria.

Cheguei em casa naquele sábado e o Beno estava ali me esperando com olhar triste, quando veio ao meu encontro me abracou fortemente me dando carinho, força e proteção e falei para ele com a voz baixa e calma:

Beno, ainda vou dar a volta por cima!

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Janeiro de 2008

Começamos o ano de 2008 com muita motivação. Já completaria 6 meses que estávamos morando na Áustria e a tal adaptação teria que aparecer!

Já no início do ano, me inscrevi em um órgão de desempregados, para ver se conseguiria algo. A resposta foi rápida, pois uns dias depois já estava com entrevista marcada para conversar com um conselheiro(profissional que acompanha o seu caso e o auxilia para obter melhor resultado).

O Beno estava trabalhando bastante naquela empresa de informática. Muitas vezes ele viajava a trabalho durante a semana, em algumas, chegava a ficar a semana inteira fora de casa e dormindo em hotéis. E eu ficava em casa com a companhia da Lila e de Deus. Não era nem um pouco bom isso, nem eu nem ele gostávamos dessa situação, mas era a oportunidade de trabalho que ele encontrou naquele momento, então não teríamos que reclamar.

O Beno sempre foi muito carinhoso e romântico comigo. Algumas vezes enquanto viajava, ele me enviava cartões, outras vezes cartas, e todos os dias nos falávamos por telefone a noite.

Eu passava meu tempo, estudando alemão, pintando quadros, cuidando da casa(quando tinha vontade) e fazendo meu curso de alemão a noite todas as segundas, quartas e sextas-feiras.

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minhas obras de arte!!! 🙂

No final de janeiro fiz minha primeira entrevista no órgão de desempregados da Áustria(AMS), com a companhia do Beno neste dia para me ajudar com o alemão. Na verdade quase não falei nada, tinha muita dificuldade mesmo! Então oque a minha conselheira fez primeiramente foi me inscrever em mais um curso de alemão(gratuito) em período matutino que começaria em fevereiro. Aquilo me motivou muito, pelo menos em algum lugar neste mundo, tem alguém que quer te ajudar a crescer, diferentemente do país aonde nasci.

No mês de janeiro a neve ainda caia bastante e o frio era aquele típico de inverno europeu. Mas dentro de casa era sempre aquele calor gostoso, pois em todas as casas daqui existem calefação.

Um dia estávamos ali na estação de trem de Feldkirch, tomando um café e esperando dar o horário do nosso trem para irmos pra casa. Conversávamos sobre nós, nossa situação, tantas incertezas e também muita saudade de tudo. Eu sempre com aquela angústia por dentro e tentando me manter firme para alcançar nossos objetivos e o Beno ali me motivando…

Oque mais me incomodava era ficar em casa, sem conhecer ninguém e sem trabalho. Sabia que seria difícil, mas aquilo tudo acontecendo parecia um pesadelo que não me deixava acordar. Naquela mesa tomando café, cheguei a chorar e desabafar mais uma vez para o Beno tudo oque estava guardado em mim.

Assim que saímos dali, passei em frente a uma revistaria e fiquei observando as revistas e lendo os temas, até que vi um anúncio de trabalho!!! 🙂

Falei na mesma hora: Olha Beno, é meio período, posso trabalhar aqui de tarde e ainda fazer os meus cursos de alemão, sem problema algum.

Não perdi tempo e já entrei na loja. Ali estava eu conversando em alemão com a dona da revistaria e falando da minha vontade de trabalhar. Consegui um teste, para o próximo sábado.

🙂                                 🙂                                   🙂

Fui pra casa com o sorriso estampando minha mente!!!

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Algo que esqueci de contar…

O ano de 2007 se foi e com isso ficaram muitas lembranças…coisas boas que aconteceram como o trabalho do Beno, meu curso de alemão, a nossa Lila e muitas outras…coisas tristes e momentos difíceis também passaram por nós e nos ensinaram a sermos sempre otimistas e perseverantes para que possamos alcançar nossos ideais…não posso deixar de citar também os momentos embaraçosos e engraçados, como quando me deparei com aquelas cobras lá na casa dos austríacos, quando a polícia me parou na divisa entre Áustria e Liechtenstein, e um outro que acabei não contando, então aí vai:

Bem no início quando ainda trabalhávamos como peões na casa dos austríacos, aconteceu algo novo e marcante.

Fomos bem cedo para trabalhar na casa deles. Para aquele dia já tínhamos combinado que iríamos fazer a calçada deles, colocando as pedras de paralelepípedos, umas encaixadas nas outras. Chegamos lá às 7:30hrs da manhã, tinha acabado de amanhecer e nós(Beno e eu) já estávamos ali. Olhamos pela janela da casa e vimos que eles ainda estavam dormindo, com isso tocamos a campainha, pois já tínhamos combinado com eles de iniciarmos o trabalho bem cedo.

Fomos trabalhando ali fora naquele frio terrível de inverno. O material estava todo na rua mesmo, pois lá não existe perigo nenhum de roubo ou coisa do tipo. Encaixa pedra aqui, martela ali, carrega mais pedras…e assim foram passando as horas e nada deles acordarem. O sol nasceu, começou a esquentar e nós ali, já tínhamos feito metade da calçada deles, e eles lá dormindo, até que me bateu aquela vontade louca de fazer xixi. 😦 Pensei em aguentar mais um tempo até que eles acordassem para que eu pudesse ir ao banheiro…mas o tempo foi passando e nada deles darem as caras. Foi aí que não aguentei mais e disse para o Beno:

Que vontade de fazer xixi!!!!!!

O Beno então me deu uma solução para meu problema:

” Vai ali no cantinho do mato e faz ali mesmo, porque você não vai aguentar por muito tempo.”

Fiquei pensando……será que vou, ou será que espero mais???

Resolvi esperar mais…até que não aguentei e saí correndo para o matinho… heheheh

Aii que alívio, minha bexiga estava explodindo já. Mas logo depois do alívio, veio uma sensação horrível…ardida…não podia ser…quis chorar quando vi, que estava rodeada de urtigas!!! Aiiiiiiii…saí dali correndo e falei para o Beno oque tinha acontecido.

Mais tarde quando o austríaco acordou(por volta das 10:30hrs) eu fui ao banheiro na casa dele e vi que estava toda inchada e vermelha das marcas aonde a urtiga encostou, fora a ardência. 😦

Gente pode parecer engraçado para muitos, mas tenho que dizer que, urtiga dói e arde muiiitoooo…então quando verem alguém se queimando com urtigas, por favor lembrem do que eu contei aqui.:)

Mas hoje quando lembro também dou boas risadas…hehehehhee…

Então é isso minha gente…bora para os próximos posts sobre o ano de 2008!

Abraço para todos!

fim-de-ano-2007

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O fim de 2007

Depois de todos os acontecimentos deste ano, fizemos a virada do ano de modo bem “langweil” como se diz em alemão, e no bom português: “tedioso”…sim, e assim foi a virada de ano. Ficamos nós(Beno, seus pais e eu) no centro de Rankweil(a cidade em que morávamos com 14 mil habitantes), e ali vimos alguns fogos nos primeiros minutos de 2008. Lembro que só tínhamos nós e nós mesmos ali, o restante das pessoas estavam em suas casas e em silêncio, nada que se compare ao festejado réveillon brasileiro…com direito a tudo e mais um pouco. 😉

Depois de termos pulados as 7 ondas, na virada do ano em Florianópolis 2006/2007(risos)

Depois de termos pulados as 7 ondas(risos) na praia do Campeche(aonde morávamos), na virada do ano em Florianópolis 2006/2007.

Até a castaca de Rankweil(nossa cidade na Áustria) congelou em dezembro de 2007.

Até a castaca de Rankweil(nossa cidade na Áustria) congelou em dezembro de 2007.

Naquela noite estava frio, mas não nevava, e nós estávamos ali quase congelados, mas contávamos com a nossa animação brasileira…heheh 😀

brindamos a vida, o amor, as realizacoes e a nossa alegria de viver!!!

Brindamos a vida, o amor, as realizaçoes e a nossa alegria de viver!!!

Brindamos o ano que estava nascendo e nos abraçamos todos como ritual de boa entrada de ano. As primeiras coisas que pensei, foi em agradecer por termos saído vivos deste ano que nos consumiu até a última gota de paciência e por termos aprendido tanto com tudo. O Beno e eu juntinhos ali fazíamos nossos belos planos para 2008.

Vou colar aqui a tabelinha dos nossos planos que fizemos para 2008. 😉

Ocupação para a Bárbara

Aperfeiçoamento do Alemão – Beno e Bárbara

Um emprego com melhores oportunidades e salário para o Beno

Mudança de cidade

Adquirir um automóvel

Vender o apartamento

Devolver o dinheiro para o pai do Beno

Fazer um curso de especialização ou curso superior – Bárbara

Cursos de especialização profissional – Beno

Guardar dinheiro

Ir para o Brasil de férias

Viajar pela Europa quando houver tempo disponível e dinheiro

Fazer a carteira de motorista – BE

Fazer a carteira de motorista – Bá

Para que possam entender melhor nossos planos de 2008, vou especificá-los abaixo:

Uma ocupação para mim, poderia ser um trabalho, estudos, um filho que tanto desejávamos, ou outra ocupação qualquer, desde que eu não fique entediada em casa olhando para as paredes.

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Buscávamos uma oportunidade melhor de trabalho para o Beno, pois seu trabalho não lhe dava perspectivas de crescimento, por ele não gostar da tecnologia em que trabalhava(por ser limitada) e por ser estrangeiro ganhava bem menos da média salarial.

A cidade e a região em que morávamos não nos agradava, por ser pequena(14 mil habitantes), com isso não existia diversão e opções de lazer e também por não ter boas oportunidades de trabalho para ambos.

nosso lazer na Áustria

nosso lazer na Áustria

A idéia de comprar um automóvel, vinha das inúmeras vezes que tínhamos que carregar nas costas as compras de supermercado, que não era perto de casa, e por diversas vezes termos perdido os ônibus, muitas vezes indo para lugares que o último ônibus passava às 20:00hrs, com isso tínhamos sempre que sair mais cedo dos compromissos ou então nem ir a eles.

A venda do apartamento do Brasil(Florianópolis), era não somente um desejo, mas sim uma necessidade, pois tínhamos que mantê-lo mensalmente enviando dinheiro ao Brasil, sem ninguém estar utilizando o mesmo.

A dívida com os pais do Beno, apesar de não ser cobrada por eles, era mais que justa ser quitada o quando antes, pois graças a eles terem nos ajudado no início com dinheiro é que conseguimos nos firmar diante de tantas outras dificuldades.

Um curso de especialização na minha área de enfermagem, para ser possível eu exercer minha profissão também na Europa, e para o Beno se aprimorar em seus projetos no futuro profissional.

Guardar dinheiro seria mais que uma necessidade.

Ir de férias ao Brasil e matar a saudade que só aumentava( e aumenta ainda hoje) diariamente.

Não poderíamos perder a oportunidade de viajar pela Europa quando possível.

E por fim, fazermos as nossas carteiras de motoristas. O Beno precisaria somente fazer um teste para transferência de sua carteira brasileira para européia, mas eu por nunca ter feito antes, deveria faze-la normalmente.

Adquirimos esse hábito de a cada começo de ano escrever os planos e arquivá-los para no fim avaliarmos o que foi realizado e o que não foi e oque atrapalhou a não concretizaçao de alguns.

E agora a vida continua…em 2008!!! 😀

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O primeiro dia de trabalho(parte 3).

Continuei trabalhando e pensando em uma alternativa para sair no horário certo e ter menos problemas. Pensei que quando chegasse às 19:50hs, falaria para o rapaz da máquina que estava saindo, porque realmente teria que ir embora.

Chegou 19:50 hrs e fui até ele para avisar que estava indo pra casa. Ele me pediu então para ficar até às 20:50hs pois o último ônibus seria às 21:00hs. Aproveitei e já perguntei para ele, aonde ficava o ponto de ônibus mais próximo, e ele me explicou com “gestos”, aonde era. Depois disso, resolvi ficar mais um pouco e voltar pra casa com o último ônibus das 21:00hs.

Eu

Quando olhei no relógio já era 20:50hs!!!OBA……..Casa!!! 😀

Me despedi de todos rapidamente e fui trocar de roupa para ir pra casa. Tinha que ser rápida, porque não sabia direito aonde era o ponto de ônibus.

Saí da fábrica e fui bem rápido até a rua principal. Quando cheguei na rua vi um cruzamento com três ruas. Dai fiquei pensando, e agora, pra aonde eu vou??? Meu…que desespero!!! Lembrei dos gestos que ele me falou, e fui correndo naquela direção para chegar no ponto. Gente……corri muito no escuro e naquele frio!!!!!!!! Não tinha ponto de ônibus nenhum ali!!!! Pra piorar um pouco mais, começou a chover! 😦

Frio pra Xuxu!!!
Frio pra Xuxu!!!

Acho que corri uns 2 km e quando estava na metade do caminho, fiquei desesperada, pensei que estava perdida…foi horrível!!! Lembro que comecei a rezar e pedir ajuda para Deus, daí logo depois, achei um ponto!!! 🙂 Mas tinha outro problema, pois não sabia qual era o sentido da rua que teria que pegar o ônibus. 😦 Estava sem óculos, com isso não conseguia ler coisas distantes, como o letreiro do ônibus. Logo em seguida, vi um ônibus no sentido contrário vindo, e fiquei pensando se deveria atravessar ou não!!! Aiiiiiiii…..

Pensei rápido e resolvi ficar ali porque o rapaz da fábrica não me falou nada de atravessar a rua. :/ Mas alguns minutos depois, lá vem um ônibus no meu sentido e então fui embora com ele. Ainda não estava despreocupada, pois não tinha certeza se era o ônibus certo…mas um pouco pra frente já fui reconhecendo o trajeto.

Cheguei em casa!!!! Nunca me senti tão aliviada por estar em casa!!! Que desespero, sozinha em uma outra cidade e a noite na chuva…sem falar alemão!!! Aiii…Cada coisa que acontece hem!

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Nos outros dois dias foi tranqüilo e trabalhei durante o dia, então não tive maiores problemas.

Como resultado, ganhei € 80,00 por trabalhar os três dias e oportunidades de trabalhar como freelancer naquela fábrica. Mas resolvi juntamente com Beno acentuar meus estudos de alemão para poder trabalhar em algo menos sacrificante e não passar mais por essas dificuldades de horários incertos.

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O primeiro dia de trabalho(parte 2).

Vou dividir o tópico, ” o primeiro dia de trabalho” em várias partes para que não fique muito cansativo a leitura e para eu poder colocar os pequenos detalhes que até hoje não saíram da minha memória desde daquele dia.

Fiquei ali trabalhando e as vezes puxava um pouco de assunto com a outra menina que estrava fazendo o mesmo serviço de frente pra mim. Perguntei a ela quanto tempo trabalhava ali. Ela respondia que estava ali a três meses e que odiava aquilo tudo, pois sempre tinha que trabalhar 12 ou então 14 horas sem ao mesmos saber antecipadamente.

Fiquei ali pensando em tudo aquilo, foi quando lembrei que não tinha celular para avisar o Beno que não chegaria depois das 20:00hs, pois ele ficaria me esperando em casa. 😦

Beno e eu
Beno e eu

Falei com o rapaz da máquina que eu teria que sair às 20:00hs pois o meu marido não sabia que eu ficaria até mais tarde e pensaria que eu teria me perdido, por eu não conhecer a região direito. O rapaz respondeu friamente, que não daria, porque ele precisaria de pessoas para terminar o serviço e isso levaria tempo. Lembro que este momento era por volta das 18:00hs e já estava morta de cansada pois tinha começado a trabalhar às 14:00 e ainda não tinha parado para descansar nem um minutinho.

Fiquei ali trabalhando mais algum tempo e pensei em insistir novamente às 19:00hs.

Chegou às 19:00hs e ele me liberou para fazer um lanche de 15 minutos. Fiquei lá na sala de funcionários pensando a respeito daquela situação. Eu teria que sair às 20:00hs pois não sabia o horário do último ônibus e também não conhecia o rapaz para aceitar que me levasse em casa às 4:00hs da manhã e ainda tinha que avisar o Beno que teria que trabalhar até mais tarde, mas como, se não tinha celular???

😦 😦 😦

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Voltei do lanche e falei novamente com ele. Tinha dificuldade para falar, porque não sabia todas as palavras em alemão e muitas coisas falava errado também. Tentei explicar minha situação. Disse que não tinha como avisar meu marido pois não tinha celular e ele me falou para ligar da empresa para avisar ele.

Sai a procura de um telefone instalado na empresa, mas para minha tristeza, quando encontrei o aparelho lembrei que não tinha nenhuma moeda para ligar e não sabia fazer ligação a cobrar naquele aparelho. Andei mais um pouco por aqueles corredores e tentei encontrar o escritório para ver se conseguia a ajuda de alguém para ligar pra casa, então depois de uns 15 minutos andando em vão, resolvi voltar a minha estação e trabalhar novamente, sem ter conseguido ao menos avisar o Beno .

😦

inverno austriaco
inverno austríaco

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O primeiro dia de trabalho(parte 1).

Dia 29 de dezembro de 2007: O primeiro dia de trabalho!

😀

No primeiro dia ganhei uma carona(para ir para a fábrica) de uma jovem austríaca que estava de férias do colégio e também trabalharia nesses dias lá.
Chegando lá, ganhamos uniformes e nos vestimos.
Assim que entrei em outra sala para a apresentação do pessoal do turno, fui surpreendida por um colega turco do meu curso de alemão. 🙂 Um rapaz bem simpático, mas que também mal falava alemão então não poderia me ajudar muito. 😦

Como nao tenho fotos dos "dias de trabalho", vou postar umas da nossa regiao da Áustria.
Como não tenho fotos dos “dias de trabalho”, vou postar umas fotos da região aonde morávamos na Áustria.

Fui separada da menina que me deu carona e colocada em uma estação de estocagem de produtos.
O rapaz responsável pela máquina que eu trabalhava, acreditem, era brasileiro!!!!!
Nossa, quanta sorte hem!!!
Daí foi fácil, porque ele me explicou como tudo deveria ser feito, e estava disponível para qualquer dúvidas que surgisse.

Tudo estava bem tranqüilo pois o trabalho não era dos mais difíceis não. Os produtos vinham em cima de uma esteira, e eu teria que apanhá-los rapidamente e distribuí-los em bandejas de metal que seriam armazenadas em local apropriado. O segredo era ser ágil e não tirar os olhos da esteira, que não parava de trazer mais e mais embalagem com alimento pré-pronto.

Comigo trabalhava mais uma menina da Sérvia, que também mal falava alemão, como a maioria dos funcionários daquela fábrica.

Depois de uma meia hora que comecei a trabalhar, o meu colega brasileiro estava indo pra casa e entraria um outro rapaz da Turquia no seu lugar para conduzir a grande máquina de embalagem em que eu estava trabalhando. 😦

afundei!!! hehehhe
afundei!!! heheh

Aiii…E agora??? 😦

O brasileiro me falou que estava saindo e que o outro ficaria responsável a partir daquele momento porque ele já estava trabalhando a cerca de 14 horas já e não agüentava mais de tanto cansaço. Ele explicou que teríamos muito trabalho e já aproveitou e perguntou se eu poderia ficar trabalhando até às 4:00hs da manhã, pois seria o horário de encerramento daquele pedido de mercadoria. No momento fiquei pasma, pois eram exatamente 14:00hs quando eu comecei a trabalhar e não imaginava que eles não cumpririam o horário combinado anteriormente(das 14:00hs às 20:00hs). Não sabia oque falar pra ele, porém o meu objetivo era trabalhar bastante nestes três dias e talvez conseguir uma contratação com a firma em horários compatíveis com meu curso de alemão. Então disse a ele que não tinha condução para ir pra casa às 4:00hs da manhã e ele me garantiu que o rapaz que estava responsável pela máquina a partir daquele horário me levaria em casa sem problemas. Depois disso ele se foi. 😦

No Gelo!
No Gelo!

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Adaptação(parte 3)…

Chegou o último mês de 2007…

Tantas diferenças de temperatura. No Brasil 40°C e na Áustria -10°C. A adaptação com as estacões do ano também deve se levar em conta pela drástica mudança do clima.

verao 2006/2007 Brasil
Dezembro Florianópolis – Brasil 2006/2007
inverno austriaco 2007/2008
Dezembro Áustria 2007/2008

Sabíamos que com tudo oque já tinha nos acontecido, o jeito era não ficar em casa nos finais de semana e no tempo livre. Achamos dessa forma uma maneira de espantar o desânimo e as tristezas. Fazíamos programas de turistas, sem gastar muito é claro, mas descobrindo muitas peculiaridades austríacas. 😛

Fazendo trilha dentro da Floresta
Fazendo trilha dentro da Floresta
Visitando um Castelo
Visitando um Castelo

Visitamos castelos, subimos nas montanhas, andamos de bondinhos, conhecemos a região e tudo oque era possível estávamos fazendo.

Igel- animal que existe na regiao, tipo um porco espinho pequeno e dócil.
Igel- animal que existe na região, tipo um porco espinho pequeno e dócil.
a natureza austriaca
a natureza austríaca

Então chegou o natal. O primeiro natal que passaria longe da minha família, mas na companhia da família do Beno. Jantamos todos juntos(tios, primos e outros familiares) e assim se foi mais um natal de 2007 sem grandes acontecimentos.

Noite de natal
Noite de natal

Já depois do Natal, Beno e eu conversávamos sobre a vontade de ter um filho, aumentar a família e saber realmente como é a tarefa de educar e escutar um pequenino te chamar de papai ou mamãe. Mas também, tínhamos muitas dúvidas quanto ao nosso incerto futuro na Áustria, pois não sabíamos realmente como tudo ficaria e se continuaríamos morando por aqui. A cultura realmente é uma coisa que choca bastante quem é de fora, mas além disso existiam outras dificuldades.

Beno e eu em uma estação de Sky na Áustria
Beno e eu em uma estação de Sky na Áustria

No fim de dezembro apareceu uma oportunidade de trabalho para mim. Heee!!!! Apesar de já ter planos de viajar a passeio para a Alemanha na casa de uns amigos brasileiros, resolvi aceitar o desafio.

O trabalho era em uma fábrica de alimentos em uma cidade vizinha da nossa. Seria para trabalhar somente nos dias 29, 30 e 31 de dezembro, pois estava difícil encontrar pessoas sem compromissos nesta época. E lá fui eu, para o primeiro dia de trabalho.

no ponto de ônibus, em um dia muito frio!!!
no ponto de ônibus, em um dia muito frio!!!

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Adaptação(parte 2)…

Adaptação: a palavra mesmo já diz seu significado…adaptar-se a algo, ao meio em que vive.

Desde o começo até os 3 primeiros meses, foi o período em que as pessoas mais nos perguntavam sobre adaptação…se já tínhamos nos adaptados e como estava sendo viver em outro país. Muitas vezes respondemos que sim, que estávamos gostando e com isso adaptados. O mais interessante é que fomos descobrir o real significados bem depois de 3 ou 6 meses e até 1 ano após nossa chegada em terras austríacas.

Beno e eu subindo na montanha com um bondinho.
Beno e eu subindo na montanha com um bondinho.

As novidades, as descobertas, a aventura…eram as coisas que nos deixavam felizes e motivados a continuar. Não conseguíamos enxergar o lado negativo e muito menos as dificuldades que estavam por vir.

Lembro-me que um dia comentei com o Beno que me sentia de férias, mesmo depois de quase 5 meses após nossa vinda. Destaquei o fato de não me sentir em casa e parecer que estava morando na casa de alguém por um tempo. Mas entendia também que esse sentimento estava ligado a saudade de todos já, da nossa casa em Florianópolis e das nossas coisas pessoais.

Tínhamos tudo a princípio; uma casa para morar, com tudo oque era necessário e com móveis. Claramente não teríamos motivo para amolecer logo depois de tantas conquistas.

atolada na neve...heheh
atolada na neve…heheh

As dificuldades com o tempo foram aparecendo. A neve linda e fofinha, foi se tornando gelada e escorregadia.

O Beno saía de casa às 7:00hs para trabalhar e nestas saídas ele muitas vezes enfrentou “aquele frio”, com temperaturas que chegavam a -21°C e as estradas chegavam a ter 1 metro de neve nas encostas. Ele ia de trem e tinha que depois de um percurso pegar mais um ônibus até o seu trabalho.

Muita neve!!!
Muita neve!!!

Na região em que morávamos, no inverno, o sol costuma nascer às 8:30 hrs e se põe às 16:00hs, com isso o Beno saía no escuro e quando voltava para casa às 18:00hs já era noite. 😦

Eu em casa e sempre de olho nas oportunidades de trabalho.

Feldkirch - cidade vizinha
Feldkirch – cidade vizinha

A dificuldade além da língua alemã, era o fato que os trabalhos existentes para estrangeiros sem formação profissional européia, ou que tenha validade na UE , se restringe apenas em grandes fábricas que fazem por rotina a troca de turnos entre funcionários, fazendo você trabalhar de manhã, a tarde e também a noite. Para isso você necessita ter uma condução própria e tempo disponível nos 3 períodos de trabalho para fazer as trocas. Oque mais me atrapalhava era o meu “curso de alemão”(obrigatório) e também por não ter veículo próprio, com isso nas entrevistas, ficava sempre de escanteio.

Rankweil(nossa cidade) congelada
Rankweil(nossa cidade) congelada

Me deparei com a realidade, ficar em casa sem trabalho e sem ninguém, não dava néh, então decidi enfrentar um trabalho de faxineira de supermercado. O trabalho até que não era ruim não, apesar de cansativo, o porém é que na entrevista simplesmente o chefe não apareceu. 😦

Passando mais um tempo, aquela austríaca das cobras fez uma cirurgia na coluna e eu me ofereci a ajudá-la. Trabalhei lá durante uma semana. O local era bem longe da minha casa; pegava dois trens e ainda tinha que andar mais 20 minutos a pé, quando o seu esposo não estava me esperando na estação de trem. O frio estava terrível na época, lembro-me que vestia 3 calças, uma sobre as outras e ainda vivia congelada!!!!

Kahli e Manuela(austriacos)
Kahli e Manuela(austríacos)

Foi bem legal esse período. Conversávamos muito, claro em alemão(dialeto) e com ajuda de mímicas(risos). Os assuntos eram os mais diversos, como plantas, diferenças entre Brasil X Áustria e milhares de outros temas. Passei muitas roupas(isso até que não era tão legal assim), experimentei “carne de coelho” pela primeira vez na vida, que por sinal achei muito saboroso, apesar de ser contra a matança dos bichanos, ajudei a fazer o jardim dela(que ficou lindo!!) e o mais legal de tudo…ganhei a LILA!!!!!!! 😀

Lila Dresch com 5 meses
Lila Dresch com 5 meses

A Lila pra quem ainda não conhece é minha porquinha da índia. Mais adiante farei um post sobre a história dela, mostrando algumas fotos e filmagens das peraltices da Lila Dresch. 😛

Depois disso foi ficando cada fez mais frio e escuro e eu cada vez mais sozinha em casa. Ocupava meu tempo estudando alemão, as vezes passava o dia fazendo isso, porquê não entendia oque passava na TV e comecei a ficar com medo de sair nas ruas e alguém falar algo e eu não conseguir entender e muito menos responder. 😦

E assim foram passando os dias, semanas e meses…frio, silêncio, solidão, tristeza…

Um dia muitoo frio!!!
Um dia muitoo frio!!!

Algo estava errado comigo, eu tinha essa noção e o Beno também, mas oque podia fazer, se não conseguia trabalho, se não tinha amigos, se…tudo foi virando um pesadelo constante. A saudade foi ficando sem fim e os dias cada vez mais frios e silenciosos.

Em Dezembro conversamos sobre como estava sendo para nós essa experiência e percebemos que as coisas tinham que começar a melhorar para o meu lado, pois eu precisava de um trabalho, precisava ter contato com gente e colocar o alemão que estava estudando em prática.

O quintal da nossa casa...congelado!
O quintal da nossa casa…congelado!

Criei um medo das pessoas de lá, mas isso foi inconsciente. Não entendia oque elas falavam e também não tinha vontade de sair nas ruas. O tom de voz daquele povo soava com agressividade, falavam friamente e muitos transmitiam o desprezo aos estrangeiros.

Isso tudo junto, realmente, foi me tornando a pessoa mais caseira da Áustria talvez e a depressão foi tomando conta. 😦

Oque fazer no momento de desespero? Sentar e esperar passar...
Oque fazer no momento de desespero? Sentar e esperar passar…

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Adaptação(parte1)…

Depois que passaram os primeiros meses, que por sinal foram os mais cruciais, começamos a viver normalmente. Tínhamos já nossa casa, com tudo oque era necessário dentro e o dinheiro entrando todos os meses na conta para pagarmos as despesas.

Passeando pela regiao
Passeando pela região

Eu por estar em casa e sem trabalho, ficava aquela neura de querer logo trabalhar, sair de casa, ganhar dinheiro e conhecer gente. O Beno já se adaptando a nova língua e o melhor, ao novo e desconhecido “Vorarlbergerisch”, o dialeto que existe nesta região que pela complexidade merece até um parágrafo único.

O Beno espantado...heheh
O Beno espantado…heheh

O Dialeto ” Vorarlbergerisch”: É um dialeto originado na região do Vorarlberg(estado sudoeste austríaco). O Vorarlberg é cercado por grandes alpes, com isso os antigos colonizadores enfrentavam muitas dificuldade de contato com outras localidades e povos, então a língua foi se moldando diferentemente em determinadas regiões, que em uma delas nasceu o ” Vorarlbergerisch” . Apesar de ter como base o alemão padrão, ela se difere nos tons e também na escrita. A dificuldade é sentida por imigrantes e até mesmo por turistas alemães e próprios austríacos de outros estados. Vejamos aqui alguns exemplos: “i han gset”(dialeto “Vorarlbergerisch”), “Ich habe gesagt”(alemão padrão) e tradução para o português: “Eu disse”. Notem a diferença entre o dialeto e o alemão padrão e imaginem entender isso saindo da boca de um austríaco?! heheheh….difícil hem!!!!

Curso de Alemao(Integrationskurs)
Curso de Alemão(Integrationskurs)

O que mais me alegrava era saber que iria começar um curso de alemão, pois apesar de ter feito aulas particulares de alemão no Brasil durante 4 meses antes de vir, percebi assim que cheguei que não sabia “nada” de alemão e que para arrumar qualquer trabalho deveria pelo menos falar o básico.

Colega de curso Brasileira
Colega de curso Brasileira

As aulas começaram em outubro, e os meus colegas de sala se resumiam em Turcos, Sérvios, Africanos, Russos e Brasileiros. 😛

Uma das exigências para a renovação do visto de permanência no país é que se faça um curso de integração na língua alemã(duração de 9 meses). Todos estavam lá com os mesmos objetivos e muitos na mesma situação, sem falar alemão, com visto provisório, com pouco dinheiro e buscando melhores oportunidades. No começo foi difícil, pois a língua falada mesmo era somente o alemão e para quem não tinha nenhuma base o professor usava sua criatividade e também sua paciência para ensinar de diversas formas.

Professor do curso de integracao de alemao
Professor do curso de integração de alemão

E logo depois chegou o inverno juntamente com a neve. Lindo, romântico, mas também frio, silencioso e assustador para quem não está acostumado.

Eu vendo neve pela primeira vez na vida!!!
A primeira vez que vi neve na vida!!!

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As dificuldades do começo(parte3).

Terceiro mês: Setembro.

Para resumir este mês posso adiantar que teve, mas teve muita dor de cabeça!!!

O Motivo: Meu visto!

Começou o mês e nós conseguimos alugar uma “Wohnung”( tipo de moradia comum que pode ser apartamento ou então uma pequena casa) com um quarto, sala, cozinha e também um espaço para guardar a bagunça. 😛

A casa que alugamos em Rankweil(morávamos nos fundos)
A casa que alugamos em Rankweil(morávamos nos fundos)

Ganhamos a maioria dos móveis!!! Alguns dos pais do Beno, do casal de austríaco que trabalhamos, outros da família em que a minha sogra trabalha e o restante compramos usado, exceto a máquina de lavar e alguns eletros.

O legal daqui é que existe umas lojas tipo “móveis usados” aí do Brasil, com a diferença que tem de tudo e com um valor quase de graça. Compramos tudo usado e em bom estado e com o valor que só daria para comprar uma toalha de mesa nova em uma loja comum. 😀

Essas lojas recebem coisas usadas de pessoas que não querem mais o objeto ou então que venham a falecer. Lá se encontra desde talheres até livros, brinquedos, decoração, tapetes… isso que é legal daqui, as pessoas não se apegam as coisas materiais e vivem trocando tudo em casa, então com oque não querem mais ajudam alguem também! 🙂

Neste mesmo período de mudança de casa e tudo mais nós também estávamos juntando toda a lista de documentação para fazer o meu visto( e olha que a lista não é pequena). Tudo já estava pronto, menos o “atestado de boa conduta“, que pela correria esquecemos de retirar na polícia federal do Brasil e trazê-lo conosco. 😦

pensado na vida
pensando na vida

Tentamos de tudo para conseguir este atestado pelos consulados e pela internet( que hoje por uma ironia já está disponível na internet) mas não conseguimos. A informação que tínhamos é que somente eu ou meus pais poderiam fazer a retirada do mesmo. Com isso contei com a ajuda dos meus pais.

Meu pai estava trabalhando muito e não tinha tempo de ir até a polícia retirar este documento. Minha mãe com quem eu mais poderia contar, ficou muito doente nesta época, com crises de depressão e até síndrome do Pânico. Olha gente, não foi nada fácil para mim. Além de ter que aprender a viver em um país com uma cultura totalmente diferente da nossa, ainda ter que suportar todas as dificuldades da mudança e não podendo fazer nada para ajudar minha mãe, pelo contrário, ainda dando mais trabalho a ela. :/

saudades

Foi difícil, chorei muito, pensei em voltar…as vezes nem dormia, por falta de sono e pela preocupação de tudo. O Beno me dava muita força e tentava segurar a barra no que podia e eu fazendo uns trocados e me virando com os problemas.

passeando com o Beno

Pedi ajuda a muita gente, para a questão do atestado, mas não dava nada certo. Ninguém conseguia retirar o documento que precisava. E o pior; se não chegasse a tempo este documento eu teria que voltar ao Brasil somente para resolver isto!!!! 😦

A polícia federal informava que só liberariam para meus pais o atestado com os meus documentos originais(ID e CPF) com isso cheguei a enviar os meus documentos e a carta foi “perdida” nos correios, pra não falar roubada néh…até isso aconteceu. 😦

nada melhor que o tempo

Gente, não sei como deu certo, mas deu. Minha mãe ficou um pouco melhor e já conseguia sair na rua( pois ela estava com medo de tudo, pela depressão e pelo Pânico) e foi lá e retirou este documento que faltava.

Recebi o documento uns dias antes de esgotar meu prazo aqui e consegui fazer o visto. 🙂

Ainda bem que acabou o mês! UFA!!!!!

nada melhor que um colinho para te dar calma....
um bom colinho sempre acalma a alma

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